Cidade de Belo Horizonte

A cidade de Belo Horizonte originou-se, por volta de 1701, da procura de ouro coordenada pelo bandeirante João Leite da Silva Ortiz. Atingindo a Serra de Congonhas, o bandeirante acabou se deparando com um local de belas paisagens, de clima ameno e propício à agricultura. Não encontrou ouro, mas estabeleceu-se no lugar, construindo a Fazenda do Cercado com uma pequena plantação e criação de gado.
 
A Fazenda progrediu e atraiu cada vez mais pessoas, até tornar-se um arraial, nomeado Curral del Rei. Aos poucos foi crescendo, basicamente pela sua lavoura, criação e comércio de gado, fabricação de farinha e algumas fábricas, de produção de algodão e fundição ferro e bronze.
 
Ainda no século XIX, a mineração começa a entrar em decadência em Minas Gerais, mas o arraial se expandia. As 30 ou 40 famílias existentes no início, passaram a ser 18 mil habitantes. Em seguida, vieram as primeiras escolas e o comércio se desenvolveu. Porém, esse ciclo de prosperidade durou pouco. As regiões que constituíram o arraial foram se separando dele, tornando-se autônomas. A população diminuiu e, por consequência, a economia começava a decair. No final do século XIX, restavam cerca de 4 mil habitantes.
 
A rotina no arraial era simples e monótona. Boa parte do dia era dedicado ao trabalho em casa ou na lavoura. O entretenimento era conseguido nos pequenos pontos de comércio que resistiram a diminuição da população. As mulheres costumavam se reunir para fazer novenas, enquanto os homens improvisavam conversas em botequins.
 
Esse cenário bucólico modificou-se. Com a Proclamação da República (1889), foi proposta a mudança da capital de Minas Gerais, Ouro Preto, para o Curral del Rei, pois a antiga capital não tinha estrutura que permitisse expansão urbana. A notícia foi comemorada durante três dias.
 
A nova capital foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897, chamando-se Cidade de Minas. O nome da cidade mudaria para Belo Horizonte somente em 1901. A capital foi planejada e construída inspirada nos modelos urbanos de Paris e Washington, e seu projeto foi executado de 1894 a 1897.

A década de 1980 foi marcada pela valorização da memória da cidade, com a alteração na orientação do crescimento. Vários edifícios de importância histórica foram tombados. Foi iniciada a implantação do metrô de superfície. Iniciada em 1984 e concluída em 1997, a canalização do Ribeirão Arrudas pôs fim ao problema das enchentes ao centro da capital. Contudo, vários problemas surgiram e alguns permaneceram.

 
Um deles foi a degradação da Lagoa da Pampulha, um dos principais cartões-postais da cidade, que se tornara um lago praticamente morto devido à poluição de suas águas. A cidade foi palco ainda de grandes manifestações visando a queda da ditadura militar no Brasil, sob a liderança de Tancredo Neves, na época governador do estado.
 
A fisionomia urbana foi novamente alterada com a proliferação de prédios em estilo pós-moderno, especialmente na afluente Zona Sul da cidade, graças à influência de um grupo de arquitetos liderado por Éolo Maia. Na mesma década, a cidade também passou a ser servida pelo Aeroporto Internacional de Confins, localizado no município de Confins, a 38 km do centro da capital.
 
Em 1980, aproximadamente 850 000 pessoas tomaram a então Praça Israel Pinheiro (conhecida como Praça do Papa) para receber o próprio Papa João Paulo II. Diante da multidão de fiéis e da vista privilegiada da cidade, o papa ali exclamou: “Pode-se olhar as montanhas e Belo Horizonte, mas sobretudo quando se olha para vocês, é que se deve dizer: que belo horizonte!”, o que provavelmente colaborou para que a praça ficasse conhecida hoje por este nome.
 
No início da década de 90, a cidade era marcada pela pobreza e degradação, com 11% da sua população marcada pela miséria absoluta e com 20% das crianças sofrendo de desnutrição. O restante da década de 1990 foi marcada pela valorização dos espaços urbanos e pelo reforço da estrutura administrativa do município, com a aprovação em 1990 da Lei Orgânica do Município e do Plano Diretor da cidade, em 1996.
 
A gestão municipal se democratizou com a realização anual do Orçamento participativo. O desafio ainda em curso diz respeito ao fortalecimento da gestão integrada da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que reúne 34 municípios que devem cooperar entre si para a resolução de seus problemas comuns. Espaços públicos como a Praça da Liberdade, a Praça da Assembleia e o Parque Municipal, que se encontravam abandonados e desvalorizados, foram recuperados e a população voltou a frequentá-los e a cuidar de sua preservação.
 
Neste início do século XXI, Belo Horizonte tem se destacado pelo desenvolvimento do setor terciário da economia: o comércio, a prestação de serviços e setores de tecnologia de ponta (destaque para as áreas de biotecnologia e informática). Alguns dos investimentos recentes nesses setores são a implantação do Parque Tecnológico de Belo Horizonte, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Google para a América Latina e do moderno centro de convenções Expominas.
 
O turismo de eventos, com a realização de congressos, convenções, feiras, eventos técnico-científicos e exposições, tem fomentado o crescimento dos níveis de ocupação da rede hoteleira e do consumo dos serviços de bares, restaurantes e transportes. A cidade também vem experimentando sucesso no setor artístico-cultural, principalmente pela políticas públicas e privadas de estímulo desse setor, como a realização de eventos fixos em nível internacional e o crescimento do número de salas de espetáculos, cinemas e galerias de arte. Por tudo isso, a cada ano a cidade se consolida como um novo polo nacional de cultura.
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